quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Chão É A Cama - Carlos Drummond de Andrade


O Chão é a cama para o amor urgente,
O amor não espera ir para a cama.
Sobre o tapete no duro piso,
a gente compõe de corpo a corpo 
a última trama.
E para repousar do amor, 
vamos para a cama!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quero Tudo Outra Vez - Dora Saunier



Ainda quero
tua fantasia marota...
teu carinho mimado...
tua palavra rouca...
teu abraço apertado...
tua respiração ofegante...
teu sonho colorido...
teu beijo molhado...
teu olhar no meu olhar...
teu desejo guardado...
tua mão apressada...
teu cheiro embriagador...
tua paixão desenfreada...
teu calor apaixonado...
tua língua penetrante...
teu tesão incontido...
teu amor compassado...
teu sexo rijo e voraz...
tua cavalgada louca...
teu delírio eloquente...
teu gozo rasgado...
tua paz relaxada...
vem meu neném...
ohhhhhh... eu quero mais...
quero tudo outra vez...
ou deixa-me se for capaz.

domingo, 21 de novembro de 2010

Trecho Do Livro: Escrito Nas Estrelas - Sidney Sheldon


(...) O silêncio do quarto
foi rompido por um repentino estrondo 
de trovoada lá fora.
Lentamente, as nuvens cinzentas no céu
abriram suas comportas 
e uma chuva fina passou a cair.
Começou discreta e gentil, 
acariciando o ar quente com erotismo,
lambendo os lados dos prédios, pingando sobre a relva,
beijando todos os recantos escuros da noite.
Era uma chuva quente, leviana e sensual, 
escorrendo devagar, 
muito devagar, até que o ritmo se acelerou 
e mudou para uma tempestade  
impetuosa, feroz e exigente.
Uma batida orgíaca, num ritmo firme e selvagem,
martelando com força cada vez maior, 
mais e mais depressa.
Até finalmente explodir numa sucessão de trovoadas.
E, de repente, tão depressa quanto se iniciara, 
a tempestade acabou (...)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Te Postas - A.D.


Espera, meu Anjo!
A língua passeia
por pele e dobras.
Tão perto o perfume
que tua flor exala.
Teu cheiro embriaga,
minha razão se abala.
És a fêmea das fêmeas.
És mulher de sobra.
Te viras e deitas
teu corpo no meu
Acaricias e sugas
meu membro em riste.
Tão bom quanto tua boca,
só uma coisa existe:
Tua flor gulosa
do orgasmo no apogeu.
Por fim te acomodas
sobre meu púbis faminto.
Aponto o instrumento
que desliza suave.
Já não mais consigo
ouvir o canto da ave.
Só me sinto invadindo
delicioso labirinto.
Púbis com púbis,
os pêlos se cruzam
Teu rosto está lindo,
os olhos cerrados.
Meu corpo clama
por ser devorado.
Me "come"
e deixa que os corpos se fundam.

domingo, 8 de agosto de 2010

Sexo - Andrade Jorge


O tempo corre em ventos mornos, tépidos,
onde vozes se misturam
entrecortadas por gemidos lépidos,
gargantas sedentas, bocas descontroladas, desvairadas,
o recato esvai-se numa explosão de vontades,
a sensibilidade aflora, o corpo implora, chora,
o cheiro da pele recende, acende o reflexo,
da entrega cega, no ato do sexo,
mãos que buscam, procuram no doce toque febril,
descobrir o desejo, que cresce a cada beijo,
lascivo, criativo, imperativo,
em ardente volúpia nada sutil;
Cabelo em desalinho, respirações ofegantes,
na cama respinga o suor da irresistível sensação,
molhando os lençóis com gotículas da paixão,
emoção que flutua em delírio,
nada mais existe nesta hora,
a libido grita: AGORA! AGORA!
e vem a pura liberdade absoluta, resoluta,
na contração do prazer, de breves eternos segundos,
o corpo vibra, estremece, o íntimo aquece,
os sentidos aguçados, permeiam outros mundos,
abandonando dois corpos em pleno torpor;
O universo pára pra ver,
as estrelas que descem, cintilantes, amantes,
devassando, invadindo o escuro, a penumbra
onde olhares perdidos, vagueiam, 
ainda, acesos de amor,
corpos cansados, afogueados, ora saciados,
no desenlace desse êxtase que fascina e deslumbra;
Assim entre gemidos excitantes, sem nexo,
o côncavo deliciou o convexo, com ousadia
na frenética poesia da arte do sexo.