segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Meu Selo Em Teu Corpo - olhosdepoeta

Eu fecho os meus olhos e sinto ainda
o perfume amadeirado da sua loção pós barba
Consigo recordar cada toque,
de meus dedos a percorrê-lo suavemente
Em cada pedacinho do teu corpo
fui deslizando como um reconhecimento
Perigoso e adorável ao mesmo tempo.
E cada beijo que lhe dei feito um selo meu
Marcando teu corpo e te levando ao delírio.
Delírio este que se juntava ao meu prazer
em vê-lo todo entregue a mim
Só meu, ali ofertado e amado e degustado...
Foram dias e noites de gloria,
entrega mutua e perfeição
Quando nossos corpos se doavam
numa completa união
Muitos outros dias haverão de existir
e ainda recordarei teu gosto
E sei que teu corpo ainda exibe meu selo
De tantos e tantos beijos que lhe dei.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A Outra - Magda Almodóvar


Ela sempre se interpõe entre nós!
Cada vez que você se entrega um pouco mais,
Fica sem me procurar por longo tempo.
Quando a saudade aperta, ouço sua voz,
Mas não saem de sua boca confissões de amor,
Palavras de bem querer.
No gozo conjunto já ouvi que sou sua vida, sua paixão,
Uma única vez porém,
Agora só o som de sua respiração ofegante,
E o tatear meu corpo delicadamente,
Como a me memorizar.
Ela nos atrapalha!
Em nossos encontros somos três:
Você, eu e... ela!
Que faz com que perca o espontâneo,
Transforme tudo em jogo.
Inconfessadas sensações batem em seu peito
E latejam em suas têmporas!
Seu olhar me diz amor,
sua boca declara racionalização.
Ela, sempre ela!
Fantasma a nos perseguir,
Rédea que freia.
E é falta de tempo,
Excesso de trabalho,
Filhos para se ocupar,
Mais e mais a aprender...
Desculpas!
Ela não deixa você me amar!
Ah! Se ela fosse mais jovem!
Ah! Se ela fosse mais inteligente!
Ah! Se ela fosse mais quente!
Ah! Se ela fosse gente!
É difícil com ela lutar!
Não sei mais que armas usar!
Carinho? 
Já dei!
Fantasias sexuais?
A todas me entreguei!
Pegá-lo pelo estômago?
Doces receitas já usei!
Mostrar indiferença?
Até isto já tentei!
Desisto!
Ela é mais forte,
Já o acompanha faz muito tempo!
Separar-se dela não está em seus planos,
E dividir você, não consigo,
E não conseguirei.
Em triângulo não viverei!
Abrace-a,
Chore minha ausência.
Pelo menos um pedaço querido
Em sua vida sempre serei.
E ela, a amargura,
Marca de amores desastrados,
Não sou eu quem matarei.
É preciso que você assuma o risco
De amar e ser amado,
De assumir a paixão,
De esquecer o passado,
De dar ao nosso caso
O doce sabor de só querer,
Sem medo de se perder.
Ela ou eu?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Chão É A Cama - Carlos Drummond de Andrade


O Chão é a cama para o amor urgente,
O amor não espera ir para a cama.
Sobre o tapete no duro piso,
a gente compõe de corpo a corpo 
a última trama.
E para repousar do amor, 
vamos para a cama!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quero Tudo Outra Vez - Dora Saunier



Ainda quero
tua fantasia marota...
teu carinho mimado...
tua palavra rouca...
teu abraço apertado...
tua respiração ofegante...
teu sonho colorido...
teu beijo molhado...
teu olhar no meu olhar...
teu desejo guardado...
tua mão apressada...
teu cheiro embriagador...
tua paixão desenfreada...
teu calor apaixonado...
tua língua penetrante...
teu tesão incontido...
teu amor compassado...
teu sexo rijo e voraz...
tua cavalgada louca...
teu delírio eloquente...
teu gozo rasgado...
tua paz relaxada...
vem meu neném...
ohhhhhh... eu quero mais...
quero tudo outra vez...
ou deixa-me se for capaz.

domingo, 21 de novembro de 2010

Trecho Do Livro: Escrito Nas Estrelas - Sidney Sheldon


(...) O silêncio do quarto
foi rompido por um repentino estrondo 
de trovoada lá fora.
Lentamente, as nuvens cinzentas no céu
abriram suas comportas 
e uma chuva fina passou a cair.
Começou discreta e gentil, 
acariciando o ar quente com erotismo,
lambendo os lados dos prédios, pingando sobre a relva,
beijando todos os recantos escuros da noite.
Era uma chuva quente, leviana e sensual, 
escorrendo devagar, 
muito devagar, até que o ritmo se acelerou 
e mudou para uma tempestade  
impetuosa, feroz e exigente.
Uma batida orgíaca, num ritmo firme e selvagem,
martelando com força cada vez maior, 
mais e mais depressa.
Até finalmente explodir numa sucessão de trovoadas.
E, de repente, tão depressa quanto se iniciara, 
a tempestade acabou (...)