domingo, 7 de março de 2010

Atrevida - Magda Almodóvar


Atrevo-me a confessar
meus erros e acertos
Meus desejos mais secretos
Minha fé
e minha descrença
Atrevo-me a dizer ousadias
e imbecilidades
Meus medos adultos
e infantis
Minha tenacidade
e minha desistência
Atrevo-me a proclamar caretices
e libertinagens
Meu tesão
e minha inapetência
Minhas verdades
e minhas fantasias
Atrevo-me a anunciar
minha carência
e minha saciedade
Meus múltiplos orgasmos
com amados homens
e na masturbação
Minha cumplicidade
e minha solidão
Atrevo-me a escrever
e divulgar os escritos
Minha louca lucidez
e insana sensatez
Minha presença
e meu enclausuramento
Atrevo-me a ser
cada dia diferente...
impermanente
Minha paixão pela paixão
e escárnio pela traição
Minha agressividade
e minha submissão
Atrevo-me
Atrevidamente
A ser mulher
Ser gente
Atrevida
Dispo-me sem pudor
Sou dor
Sou amor
Desafiadora
Faço do atrevimento
Um jeito de transmutar
saudade em canção
E caminho me crendo
saltitando numa pauta musical
De uma ópera mundana e genial

terça-feira, 2 de março de 2010

Volúpia - Florbela Espanca

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frêmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade...
A nuvem que arrastou o vento norte...
Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...

Escrevendo - A.D.


Escrevendo em você!
Não quero escrever

Poesias no papel

Quero escrever
com meu corpo

No teu
e traçar o teu desejo

Te marcando em mim

Adornar teus seios

Com letras traçadas
por meus dedos

Desenhar com meus lábios
tua boca

Perdida
e entregue a minha

Tuas mãos selvagens
em meu corpo

As minhas como pena do poeta

Ávidas te percorrendo

Poesia do meu corpo
no teu corpo nu

Na superfície
da tua carne

Nas profundas fendas
do teu sexo

Fazendo as palavras
serem sentidas

Em espasmos
e nos orgasmos

De nossas poesias
e no nosso prazer

segunda-feira, 1 de março de 2010

Dispa-Me - Vanderli Medeiros

Essa noite
quero ser tua fêmea.

Ser despida
com teus dentes.

Lambida abundantemente

por teus lábios molhados...

Quero ser explorada

com a ponta da língua,

cada pedaço,

num pleno amasso,

descompasso...

Senti-lo em meu regaço

com volúpia e paixão.

Quero que me banhes
de champanhe...

Matarei tua sede
na taça do umbigo...

Mergulhar-me-ei
em teus desejos...

Quero ouvir teus gemidos
em meus ouvidos,

entrecortados de beijos.

Essa noite,

quero ser amada por ti

com a mesma sede
e volúpia

com que
se amam os amantes!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Teu Corpo Claro E Perfeito - Manuel Bandeira


Teu corpo claro e perfeito,
– Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...
Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado...
Teu corpo é pomo doirado...
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...
Teu corpo é a brasa do lume...
Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Quem em antigas se derrama...
Volúpia da água e da chama...
A todo o momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...
Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...